I EXPOZINE DE ITU (SP) FOI UM SUCESSO!

A Biblioteca Comunitária Waldir de Souza Lima em Itu – SP, foi o espaço da I Expozine de Itu (Exposição de Fanzines). O evento que aconteceu no último dia 24 de maio (sábado) foi um grande sucesso, pois foram várias as atividades e atraiu um grande público interessado nesse movimento, que já existe há décadas. Vários fanzineiros estiveram presentes no evento, mas não podemos deixar de destacar a presença do cartunista e roteirista paulista Júlio Maga. Além da oficina de fanzines coordenada por Paulo Ernesto, teve também uma sensacional palestra com o Professor da USP, Gazy Andraus e exposição de fanzines de várias partes do país. Na ocasião foi aberto um espaço na biblioteca com o nome de Gibiteca Moacir Torres, uma homenagem feita pelos organizadores ao cartunista Indaiatubano. Nós agradecemos de coração a Paulo Ernesto Aranha e José Renato Galvão pelo importante evento e também pela grande homenagem. Fotos do evento estarão em breve no Site da Biblioteca: http://www.bibliotecacomunitaria.wordpress.com

Texto: M. Torres

Veja algumas fotos abaixo:

   

Moacir Torres recebe certificado em sua homenagem
Moacir Torres recebe certificado em sua homenagem

                 

Pela primeira vez na história de Itu, a cidade irá receber uma mostra de Fanzines.

Em cerca de um mês de divulgação do evento, temos nos deparado com muitas pessoas perguntando: o que é na verdade um FANZINE? Já ouvi falar nessa palavra mas até hoje não sei o que significa.

Não foram poucas as pessoas que fizeram esse questionamento e na minha opinião isso se explica facilmente: pelo simples fato de que o FANZINE, ou ZINE, como carinhosamente é chamado pelos seus fazedores, é uma publicação independente que praticamente não conta com nenhuma divulgação além da que é feita pelos seus editores e amantes do gênero.

A literatura sobre o tema é escassa, iremos apresentar alguns livros na EXPOZINE, mas na verdade o material bibliográfico para estudo dos ZINES acabam sendo as próprias publicações.

A mídia gorda (como escreve Mylton Severiano) não tem nenhum interesse em propagar a cultura dos ZINES, afinal pela sua própria essência o ZINE é a anti-imprensa corporativa, empresarial, cartelista, comercial, banal, corrupta, sensacionalista e golpista.

Os ZINES assumem-se como imprensa parcial, ou seja, deixam bem claro que são publicações de fãs e amantes de uma ou várias manifestações culturais. A própria origem da palavra vem dos termos ingleses FAN(FANATIC = fã) e ZINE (MAGAZINE = revista). Não buscam a tão valorizada imparcialidade ou neutralidade da imprensa, que via de regra esconde uma posição bem definida em prol das elites midiáticas que comandam o país, vide Globo, Veja, Época, Folha, Estadão, Band, Record e outras.

O FANZINE segue o conceito do-it-yourself (faça você mesmo) propagado pelo movimento punk na década de 1970. É algo que incentiva a criatividade e insere grande quantidade de indivíduos, principalmente jovens, no processo de disseminação da informação e da cultura. É um exercício de democracia, cidadania e liberdade de expressão.

Infelizmente o fator econômico é o maior percalço para os editores, impedindo grandes tiragens, o que torna essas publicações conhecidas somente na sua região ou município e ainda assim apenas entre o público fiel à temática proposta.

Entretanto os zineiros, com sua grande capacidade de comunicação e articulação, promovem uma extensa rede alternativa de contatos e divulgação, antecipando o conceito de links utilizado pela web. Dificilmente se encontra um zine que não tenha uma seção dedicada à divulgação dos amigos.

Talvez esse seja o maior diferencial dos FANZINES para com a imprensa comercial: a cooperação, a camaradagem, a amizade, ao invés da competição, individualismo e egoísmo tão presentes na mídia corporativista. Mesmo no caso dos ZINES que são vendidos, seus editores sempre encontram um jeitinho para descolar um exemplar para quem não tem grana no momento, muitas vezes cobrindo até os custos de postagem.

Podemos fazer uma analogia dos ZINES com relação á mídia gorda. É como se compararmos um mercado de bairro ou uma venda a uma rede de hipermercados. No primeiro caso a relação é mais humana e cordial, sabemos quem é o dono do comércio e negociamos diretamente com ele; no segundo caso a relação é impessoal, geralmente feita com uma máquina ou com uma pessoa que age como máquina.

Outra característica importante dos ZINES é sua diversidade. Chega mesmo a ser um trabalho artesanal, onde o editor domina todas (ou quase todas) as etapas do processo de produção. Podemos afirmar até que é uma atividade desalienante, se analisarmos pela ótica marxista. É uma explosão de tamanhos, formatos e cores (e preços também…). É uma atividade que visa o prazer em primeiro lugar; o lucro, se vier, é consequência.

Nos anos 1970 e 80 a maior parte das publicações independentes utilizava a máquina de escrever e o mimeógrafo para sua confecção; atualmente utiliza-se a internet, a editoração eletrônica, a reprografia e a impressão a laser e off-set. Mas o mais admirável é sabermos que a qualquer momento podemos ver um ZINE no formato mais artesanal e utópico possível. Frequentemente somos surpreendidos com a cratividade de inventores que insistem em ser independentes, alternativos e LIVRES, investindo tempo e dinheiro nessa atividade genial e maravilhosa de montar um FANZINE.

Esses editores talvez nem saibam mas acabam invertendo e subvertendo a principal equação do capitalismo moderno, na qual TEMPO = DINHEIRO.

 

 

A virada Cultural é um evento promovido pela Prefeitura e Secretaria de Cultura de São Paulo que proporciona 24 horas ininterruptas com centenas de atrações que acontecem por mais de 150 pontos do Centro da cidade. São 24 horas de eventos na cidade que não para nunca.

Diversas atrações como música, teatro, dança, poesia, performances circenses e cinema invadiram a cidade que respirava cultura por todos os cantos. Nomes como: Tom Zé, Francis Hime, Marcelo Camelo, Maria Rita, Marsicano, Banda Tus, Odair José, Wando, Geraldo Azevedo, Zeca Baleiro, Chico César, Violeta de Outono, Fafá de Belém, Fruto Proibido – Tutti-Frutti, Velhas Virgens, Camisa de Vênus, Nasi, Choro das Três, Nação Zumbi, O Som nosso de cada dia, Macaco Bong e tantos outros abrilhantaram a Virada com suas apresentações.

 

A turma da Biblioteca Comunitária, que esta sempre antenada com os movimentos culturais, não poderia deixar de prestigiar. O grupo deixou a cidade de Itu e prosseguiu até São Paulo na tarde do dia 2 para participar e manter contato com o mundo da cultura.

O evento teve estimativa de 4 milhões de pessoas de São Paulo e outras vindo de cidades do interior, participando entre as 24h de evento.

Veja as fotos no site  www.viradacultural.org

Ano que vem tem mais. Mas se não quiser aguardar até lá pode participar da Virada Cultural de Sorocaba ou em uma das outras 20 cidades do interior e litoral que receberão a Virada Cultural Paulista nos dias 16 e 17 de maio.

Com objetivo de fortalecer a mídia independente, o PONTO DE LEITURA- Biblioteca Comunitária Prof. Waldir de Souza Lima abre oficialmente a 1ª Expozine de Itu, no dia 24 de maio a partir das 16h.

Fanzine é um termo derivado das palavras inglesas fan (fã, em português) e magazine (revista, em português) que, entre outras traduções, significa uma publicação editada por um fã. Criada nos anos 1930 nos EUA, os fanzines atraem um público bastante diversificado. Por isso, na programação do dia 24, destacam-se:

– Oficina com o fanzineiro ituano Paulo Rodrigues;
– Encontro de fazedores com coordenação do Zine Kausadores Di Revolta (Itu);
– Exposição de materiais;
– Palestra com o Prof. Gazy Andraus, Doutor em Ciências da Comunicação, na área de Interfaces da Comunicação, pela ECA-USP (premiado com a melhor tese de 2006 pelo HQ-MIX-2007);
– Intercâmbios de fanzineiros;
– e uma homenagem ao quadrinista e fanzineiro Moacir Torres.


Os Fanzines interessados em participar do evento podem enviar exemplares para o endereço: Rua Floriano Peixoto, 238, Centro, Itu/SP, CEP 13300-005, aos cuidados de Paulo Rodrigues.

A participação em todas as atividades é gratuita.